SOBRE AMABOZARISTAS

Quem somos nós afinal???

Um povo diferente, uma família diferente que foi ajuntada sob as mãos de Deus e a beleza sugestiva e dançante da arte. Gostamos é do que é vivo porque não nascemos para o cinza, porque somos as setecentas mil cores do arco-íres. Temos orgulho de sermos chamados de loucos porque a nossa loucura é a nossa contribuição para o Mundo. Não nos preocupamos com as caras e bocas dessa gente “certinha” quando nos vê fazendo poesia com o corpo, mas sim com aqueles que acreditam na validade e na grandeza do nosso sonho. E sem alienação, sem negligenciar nossa condição de agentes de transformação da sociedade, queremos experimentar a sensação psicodélica desse nosso sonho. Nós estamos vivos e queremos viver!


terça-feira, 14 de abril de 2009


Nota:
Crônica divulgada na coluna semanal do Professor Adriano Willian no sítio eletrônico clarodospocoes.com. Com sua visão humanista, mostra-se empenhado em valorizar o que Claro dos Poções tem... e o Amabozarai é cultura claro-pocense...






Até que ponto... Globalização?




Por Adriano Willian




É interessante e ao mesmo tempo deprimente como o ser humano faz questão de esquecer seus valores morais e culturais em nome de suposto desenvolvimento provocado pela “tal de globalização”. Em um mundo capitalista voltado para o consumo desenfreado e lucro constante, as culturas locais estão cada vez mais à margem do gosto popular. Há cerca de duas semanas estive conversando com uma senhora muito distinta que apresentava para mim e meus colegas um breve histórico de um grupo de folclore que ganhou vida em 1968 através da iniciativa da Sra. Zezé Colares. O grupo tinha em seu corpo, alunos do curso de Folclore e História da Música que foram encorajados por uma outra senhora que carregava o sobre-nome Lorenzo Fernandes. Começou com o nome de “bandinha da Zezé” e hoje, com quarenta anos, é o mundialmente conhecido Grupo Folclórico Banzé. Tive o prazer e encantamento de participar do VII Festival Internacional do Folclore em Montes Claros em 2004, evento organizado pelo Banzé que proporcionou a todos os presentes uma diversidade gigantesca de culturas nacionais e estrangeiras. Imaginem vocês se essa história de sucesso não tivesse acontecido... Estaríamos sem uma referência regional e principalmente sem uma fonte viva de divulgação de nossa cultura regional. Tentem visualizar... Sem o Banzé a nossa região estaria repleta de “Lan House” abrigando jovens que se maquiam diante dos sites de relacionamentos e jogos on-line... Opa... Isso já está acontecendo !!! Parece inevitável que a globalização acabe por suprimir as culturas locais em detrimento de uma cultura mundial que não respeita individualidades, costumes, valores e processo histórico de constituição de um povo. Eu disse “parece inevitável”. Em alguns lugares a globalização se adéqua ao meio e não o contrário. No Maranhão existe um refrigerante local chamando Jesus que teve sua fábrica comprada pela Coca-Cola – todos sabem da potência mundial da empresa. Mais que depressa o Jesus foi retirado do mercado, o que gerou repulsa da população e boicote aos produtos da Coca. Os moradores simplesmente não compraram mais nada que tivesse o carimbo da Coca, que imediatamente retornou a produção e comercialização do Jesus que hoje é o mais vendido na região. Na Índia (atenção maníacos por novelas) quem domina o mercado de refrigerantes é Pepsi e por um simples fato. Antes de entrar com os seus produtos, a empresa fez um minucioso estudo do comportamento, hábitos e costumes do povo indiano. Ao perceberem que iriam encontrar uma cultura forte e resistente ao que viria de fora, decidiram promover campanhas de marketing que respeitavam a cultura indiana e ao mesmo tempo colocava a Pepsi como refrigerante daquela nação. Foi uma ação fácil, inteligente e eficaz, pois a Coca (principal concorrente) não entra lá. Estes são exemplos de resistência à imposição de uma cultura global e respeito às culturas locais. Mas afinal, o que podemos fazer em Claro dos Poções?Fiz toda essa explanação para alertar aos amigos e amigas sobre o Grupo de Teatro Amabozarai... São dois anos de uma história que começou de forma parecida ao do Banzé e permanece vivo igual ao refrigerante Jesus que resistiu a uma cultura imposta. Cada um de nós, apaixonados por nossa cidade, devemos bater palmas e palmas para as apresentações do Amabozarai, e tirar o chapéu para o grupo, não só como reverência, mas também para solicitar ajuda. Amigos e amigas... O grupo já é forte pela própria natureza, imaginem se pudesse contar com o apoio incondicional de todos nós. Estamos falando de manutenção de nossa própria cultura. Temos no Amabozarai uma muda de Jacarandá plantada em terreno fértil, mas que precisa de cuidados para sobreviver. Esses cuidados devem partir da esfera pública municipal através de seu Departamento de Cultura (o qual acredito) e da população, que não pode nunca deixar morrer a nossa identidade cultural e sim ecoá-la pelos tempos. Da globalização devemos aprender e usar o acesso às informações e às tecnologias. Cultura por cultura eu prefiro a nossa... E o Amabozarai é gabaritado e deve ser o responsável pela sua perpetuação.

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