... E de repente chega o dia em que é preciso colocar o pé na estrada. A estrada que em tempos passados (tempos de chegada) era “o útero divino”, hoje é, por ironia, “o túmulo explícito”. Sinceramente, confesso, as estradas muito me comovem, me entristecem porque cedo ou tarde acabam levando um ou outro terno e eterno amigo. E elas colocam asas nos meus amados que, em êxtase, fendem indecentemente ares alheios.
Breve partirá um dos meus poetas. A Cidade mutilada se perguntará: “o que aconteceu a mim?” e em lamentos se responderá: “é mais um pedacinho de mim que voou, voou e não sei onde pousou”. Lá se vai outro dos dedicados jardineiros desse Torrão. Queira Deus que os demais jardins de Minas, do mundo tenham poucas ervas daninhas e poucos espinhos, para que meu jardineiro não sofra.
É fácil entender seu cansaço, Caro Amigo, seus porquês, seus ais. Difícil é entender o tempo, as circunstâncias. Em meio a poeminhas que agora me embalam é que me escondo... me perco, me acho... te encontro mesmo quando não te entendo... Sei que é importante (e bom) buscar um novo caminho, ainda que comece errado (que nada dê errado, pois a saudade já será o bastante). E quando chegar lá (em qualquer lugar, qualquer tempo) lembra de mim, viu?! Estarei esperando por notícias suas e cantado pra você e para os nossos aquela velha cantiga do Paulinho, conhece?!
__ “Quando chegar na tua casa / E encontrar solidão / Lembre de mim / Que também vivo só / Quando encontrares a paz / Mande uma carta pra mim / Quero saber / Como fazer / Pra ser feliz tanto assim / Uma canção deve haver / Para fazer entender / Que nada tenho a dizer / Quando o jeito é viver”__.
Definitivamente, hoje não me apetece sorrir, não me apetece chorar, não me apetece falar com ninguém e nem quero ouvir o canto dos passarinhos agitados que fizeram um ninho na minha janela. Quero ficar só e deprimir. Quero pensar sem a preocupação de chegar a uma conclusão. Sei bem que vivemos é de desencontros (a própria vida é um desencontro)... mas, encontrar é a genuína razão de se viver! Meu amigo que, de malas arrumadas já se prepara para sair na porteira, mal sabe que a partir de agora não viveremos do toque das mãos, do tenro abraço de todos os dias, e sim do toque mágico das almas, das auras, dos pensamentos loucos que transitam no vento... nosso desencontro será o nosso eterno e etéreo encontro.
Pensando na partida desse meu Amigo menino, quis ouvir uma música, qualquer música. Tocou o celular. Uma música. No primeiro verso da música de Mandy Moore estava o que eu procurava: “There's a song that's inside of my soul” (Há uma música que está dentro da minha alma). E eu estou embriagada com a música que há em minha alma! Com certeza não vou chorar ao me despedir, vou suportar, embora não sem dor, que parta e que comece um novo caminho ou um novo jeito de caminhar. A minha fortaleza será a música que estou bebendo agora.
E quando chegar a noite será o abraço dos que te amam chegando outra vez.
QUE SEJAS FELIZ, CARO ISMAEL, SEJA FELIZ SENDO JARDINEIRO DO TEU PRÓPRIO JARDIM!!!

(Foto - JF)
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